Ângela Portela, na plateia da reunião do PT, confirmou à Folha sua pré-candidatura ao Senado
WILLAME SOUSA
Os boatos que a deputada federal Ângela Portela (PT) se candidataria ao Senado nas eleições de 2010 foram confirmados no último sábado, em encontro do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores, realizado durante a manhã no auditório do Senar.
Dos 70 delegados que têm direito a voto na legenda, 66 participaram da reunião. Deste número, 49 votaram favorável à candidatura da petista ao Senado. Com a decisão, tudo indica que o senador Augusto Botelho, também da sigla, não poderá disputar a reeleição. Ele obteve nove votos favoráveis. Os demais delegados se abstiveram.
O encontro foi tenso, principalmente no momento em que Botelho, visivelmente contrariado pela situação, teve a oportunidade de falar. Houve um início de discussão mais acalorada entre o senador e outros petistas que não pôde ser acompanhada pela reportagem da Folha, convidada a se retirar do local.
Por telefone, no domingo, Ângela reafirmou o desejo de concorrer a uma vaga no Senado. Conforme ela, esta foi uma decisão democrática, algo demonstrado pela votação de sábado. Pesquisas e conversas tidas por petistas com pessoas do cenário político local, explicou ela, também motivaram a mudança nos planos da legenda em Roraima.
“Sou pré-candidata ao Senado. Acho que um ponto importante para esta decisão foi a sinalização dada pelas pesquisas de opinião pública, que demonstraram que o meu nome tinha mais viabilidade [do que o de Augusto Botelho]. Eu estava em terceiro lugar, mesmo sem ter declarado ser pré-candidata ao Senado. O partido viu que a população estava se manifestando favorável ao meu nome”, afirmou Ângela.
Quanto aos comentários feitos pelo senador petista de que teria havido traição por parte da legenda (veja matéria na página 4A), a deputada afirmou que nunca prometeu a Botelho que não disputaria neste pleito uma vaga ao Senado. “Não entendo como traição, pois eu não prometi que não seria candidata à senadora. Rebato terminantemente esta afirmação. O partido está tentando buscar a melhor forma de se fortalecer no Estado”, justificou.
Ângela, quando questionada sobre a união da sigla em Roraima, concordou que a princípio há desunião, mas que será sanada quando o período eleitoral iniciar de fato.
OPÇÕES - Segundo o vice-presidente da sigla, Titonho Beserra, foram apresentadas opções para Botelho, que foram recusadas. A ideia do partido era que o senador concorresse a uma vaga na Câmara Federal ou fosse candidato a vice na chapa do deputado federal e pré-candidato declarado ao governo Neudo Campos (PP). “Candidato ao Senado ele não é e se quiser ser candidato a alguma coisa, tem até as convenções para decidir”, afirmou.
Em relação à possível interferência do PT Nacional na questão, Beserra foi conciso e disse apenas que as decisões na esfera estadual são tomadas pelos petistas locais e não há possibilidade de uma determinação contrária pelo Diretório Nacional. “Eles não podem interferir. Quem manda no PT somos nós. O momento é de divisão no partido no Estado, mas continuamos abertos ao diálogo”, frisou.
FONTE: FOLHABV