LÚCIO ALCÂNTARA (PR) x CID GOMES (PSB)
Candidatos ao governo do Ceará falam sobre as principais questões ligadas à Educação
Por Cláudio de Paula

Lúcio Alcântara (foto: Divulgação) e Cid Gomes (foto: Renato Araújo/ABr). Siga os candidatos no Twitter: @cidfgomes e @lucioalc
Os dois principais candidatos ao governo do Ceará conhecem, na prática, os desafios do cargo: Cid Gomes (PSB), atual governador, sucedeu no último pleito a Lúcio Alcântara (PR), que tentava a reeleição. Ambos são formados pela UFC (Universidade Federal do Ceará) em Engenharia Civil e Medicina, respectivamente. Aos 67 anos, Lúcio Alcântara tem um extenso currículo na vida política, tendo sido secretário de saúde e depois prefeito da capital, Fortaleza; deputado federal; vice-governador e senador. Cid Gomes, de 43 anos, é irmão do Deputado Federal Ciro Gomes e já vivenciou duas reeleições: como deputado federal e como prefeito do município de Sobral. E o feito pode se repetir: pesquisas mostram que há chances de vitória de Cid Gomes já no primeiro turno*.
Nas propostas para Educação, divergem com relação aos planos para formação de diretores. Enquanto Cid Gomes pretende envolver a UFC na criação de uma escola específica para este fim, Lúcio Alcântara não prevê este tipo de ação. Acredita que a qualificação pode acontecer por meio de cursos de pós-graduação ou cursos de extensão e cobra que os diretores assumam sua parcela de responsabilidade na qualidade do ensino. Mas quando questionados sobre como estimular que jovens se interessem a se tornarem professores, a resposta de ambos é a mesma: melhorar o salário dos docentes.
Confira estas e outras proposições nas entrevistas concedidas individualmente e cujas perguntas foram formuladas por conselheiros do Educar para Crescer. Os candidatos não tiveram acesso antecipado às questões.
*Pesquisa IBOPE realizada entre os dias 30 de julho e 1º de agosto de 2010: Cid Gomes (PSB): 49%; Lúcio Alcantara (PR): 24%; Gonzaga (PSTU), Marcelo Silva (PV) e Soraya Tupinambá (PSOL): 1% cada; Nati (PCB): não atinge 1%; Indecisos: 9%; Brancos ou Nulos: 5%.
No Brasil ainda temos aproximadamente 15 milhões de mulheres e homens acima dos quinze anos de idade que não conseguem, por serem analfabetos, ler o lema da própria bandeira nacional: Ordem e Progresso. Na sua eventual atuação como governante, que ação fará para não consolidar essa injusta e vergonhosa ironia cívica?
Pergunta elaborada por: Mario Sergio Cortella, filósofo, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, doutor em Educação, professor da PUC-SP
Cid Gomes – Existem muitas tentativas no Brasil de erradicar o analfabetismo em pessoas já de idade. Os programas vão continuar, mas a grande preocupação é “fechar a torneira”. Não se pode, sob hipótese nenhuma, permitir que se mantenham crianças analfabetas. É muito mais complicado alfabetizar um adulto que já aprendeu a se virar na vida sem saber ler, do que alfabetizar uma criança. Vamos continuar com os programas de alfabetização de adultos, mas a grande ênfase será a erradicação do analfabetismo em idade escolar. Aqui foi feito um levantamento há 4 anos mostrando que 48% das crianças de 7, 8 e 9 anos frequentando a escola, não conseguiam aprender a ler e a escrever. Nossa ênfase é alfabetizar na idade certa. O estado tem um programa chamado PAIC (Programa de Alfabetização na Idade Certa) que está acontecendo desde 2007 e que tem como foco “fechar a torneira” e não permitir que se mantenham analfabetos frequentando a escola. Todas as crianças de 6 e 7 anos são avaliadas anualmente. Todas, não é amostragem. Com esta avaliação, premiamos os municípios e as escolas, com acompanhamento. Há um gerente em cada cidade só para cuidar desse programa, apoio no material didático e no treinamento dos professores e isso tem se mostrado exitoso melhorando muito o percentual de crianças que são alfabetizadas na idade certa.
Lúcio Alcântara – Já no primeiro governo, desenvolvi um grande programa de educação de adultos. Chegamos a zerar o analfabetismo em vários municípios cearenses. Há muita gente que pensa que isso é desperdiçar esforço, porque são pessoas que já estão em certa idade e teríamos de concentrar recursos e ações em grupos mais jovens. Não penso assim. Devemos dar a adultos e até aos idosos a oportunidade da felicidade de saber ler e escrever. Seguramente, chegando ao governo, vou lutar para erradicar o analfabetismo de adultos.
O bom administrador sabe que a criação de indicadores, definição de metas e acompanhamento das mesmas são condições básicas para uma administração aceitável. Há alguns anos foi criado um indicador nacional para a educação que é o IDEB, bem como metas para seu acompanhamento. Mesmo assim, quase nenhum governante se compromete objetivamente com tais metas ou, o que seria melhor, estabelece suas próprias metas de forma mais agressiva. Dito isto, gostaria de saber: o senhor sabe qual é o IDEB do seu estado? Sabe quais são as metas do IDEB para o seu mandato?
Pergunta elaborada por: David Saad, executivo de Relações Institucionais Sociedade Beneficente Israelita Brasileira
Cid Gomes – O Ceará foi o único estado do Nordeste que alcançou as metas nacionais: 3,6 no Ensino Médio, 4,4 no Ensino Fundamental até a 4ª série e 4,9 e 4,2 nas séries finais, 9º ano ou 8ª série, do Ensino Fundamental. O IDEB é feito bianualmente e nós temos aqui o SPAECE (Sistema Permanente de Avaliação Básica do Estado do Ceará) um sistema nosso que é realizado anualmente. Avaliamos todo ano a 9ª série e a 5ª série do Ensino Fundamental e a 2ª série que faz parte do PAIC (Programa de Alfabetização na Idade Certa). E divulgamos na internet anualmente nossa meta, independente dessa questão de 2021, que é o que a proposta do IDEB. Estabelecemos nossas metas a partir da nossa avaliação.
Lúcio Alcântara – Não.
O senhor sabe quais são as metas do IDEB para o seu mandato?
Cid Gomes – O IDEB só acontece nos anos ímpares. Então só vai ter agora em 2011. São dois pontos a mais. 0,2 pontos a mais em cada um, mas é para 2011.
Lúcio Alcântara – Não. Mas temos que olhar esses indicadores e fazer um acompanhamento. Tenho muita preocupação com relação ao ensino médio, porque aqui no Ceará o número de matrículas tem caído nos últimos anos. No meu governo, o número de alunos matriculados no ensino médio, em números absolutos, registrou o maior crescimento do País. Sou um adepto do monitoramento desses indicadores e do estabelecimento de metas a serem alcançadas. Inclusive introduzi no estado, quando fui governador, a Gestão por Resultados.
O senhor se compromete com essas metas ou com metas mais agressivas para o IDEB?
Cid Gomes – Absolutamente. Sou absolutamente comprometido com as metas do IDEB e com as nossas metas do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e, mais do que isso, nós temos compromisso em apoiar aquilo que é responsabilidade dos municípios. O estado não tem matrículas das séries iniciais, mas nós temos compromissos de apoiar os municípios para que eles possam atingir as metas. Nós destinamos 30 milhões de reais por ano para premiar os municípios que conseguem atingir a nossa meta do SPAECE (Sistema permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará) e a nossa meta é muito mais ousada. O que nós queremos no SPAECE é 85% de alfabetização e nós premiamos as melhores, que passam deste percentual, com o compromisso de que elas apadrinhem uma das piores, e uma parte do prêmio fica condicionada que essa pior consiga melhorar seu desempenho na avaliação seguinte.
Lúcio Alcântara – Claro. As metas têm de ser ousadas. Não podem ser metas modestas, mas também não podem ser impossíveis de serem alcançadas. Quando fui governador, implantei a gestão por resultado que está muito ligada às despesas e aos gastos, tendo objetivos mensuráveis a serem alcançados. Não são só objetivos físicos, como construir um número determinado de escolas. São objetivos ligados ao desempenho, ao aproveitamento dos alunos, no caso da educação.
Quais são as ações objetivas que o senhor, hoje, pode dar certeza absoluta que fará, caso eleito, para atingir essas metas?
Cid Gomes – A nossa responsabilidade objetiva está muito no Ensino Médio, que temos como nossa universalizar. É uma meta ousada, mas aqui no Ceará já se conseguiu universalizar o Ensino Fundamental: 99,7% das crianças em idade de 7 a 14 anos estão frequentando a escola. No ensino médio, ainda há um grande desafio, pois atualmente a cobertura não chega a 64%. Isso se faz fortalecendo o programa de apoio ao município para transporte escolar, implantando unidades escolares de ensino médio em distritos maiores e procurando qualificar, também. Queremos evoluir pelo menos 60 mil matrículas, que significa, mais ou menos 15% das matrículas, em escolas profissionalizantes e em tempo integral.
Lúcio Alcântara – Podemos destacar o aumento da jornada escolar e perseguir o tempo integral. Também levar o ensino médio para a zona rural, porque normalmente as escolas estão concentrados na sede dos municípios. Dar atenção para a qualificação dos professores, inclusive, com concessão de bolsas para que eles possam se qualificar melhor e ficar mais capacitados a ministrar as aulas para os alunos. Organizar uma rede de Liceus, que nós temos aqui no estado, com arranjos produtivos educacionais com foco na educação profissional. Outra coisa importante: quando fui governador estabelecemos um regime de colaboração com os municípios, já que aqui no Ceará houve um intenso processo de municipalização da educação. Estabelecemos esse regime de colaboração para apoiar e fazer com que os municípios tivessem melhores condições de fazer um ensino mais abrangente, não só quantitativamente, mas também na qualidade.
Considerando que o professor é peça chave para a melhoria da qualidade do ensino. Como o candidato pretende articular a formação dos professores com a prática da sala de aula para que haja um efetivo impacto na qualidade?
Pergunta elaborada por: Maria Alice Setúbal, socióloga, diretora-presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), integrante do Conselho de Administração da Fundação Abrinq e do Conselho do Programa Comunidade Solidária.
Cid Gomes – Primeiro, fazendo todo o esforço no sentido de acabar com a figura do professor temporário, muito presente aqui. Nesse ano, por exemplo, estamos concluindo um concurso para contratar 3.800 professores e ter, pela via natural do concurso, o mérito como porta de entrada ao sistema estadual. Mas é uma ação permanente. É preciso estimular o professor diariamente, dar oportunidade para ele se qualificar, ter programas que o estimulem a fazer um curso de especialização ou de mestrado.
Lúcio Alcântara – Com um forte programa de treinamento. Com concessão de bolsas para melhorar a formação do professor para que ele tenha um melhor desempenho na sala de aula. Do ponto de vista dos salários, que é uma questão importante, pretendo cumprir a lei federal que estabeleceu as condições dos vencimentos dos professores e do direito dos professores. Pretendo dar uma assistência especial a certos aspectos da saúde do professor que são muito comprometidas com seu desempenho, como os problemas ligados à voz e de assistência psicológica ao professor.
Há quem defenda a implantação da política de bônus como forma de reconhecer o mérito do professor. O senhor acredita que esta seja a melhor política para reconhecimento de mérito docente? Se não, qual seria o caminho?
Pergunta elaborada por: Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos Pela Educação
Cid Gomes – É uma boa política. Já fiz isso em diversas oportunidades. Fiz isso quando fui prefeito (de Sobral) e temos feito agora, mais na linha de apoio à escola, de premiação à escola, de demandas da escola. Estimular e expor resultados é fundamental para que professores possam se motivar.
Lúcio Alcântara – Uma política de avaliação e de premiação aos professores que dão bons resultados tem de ser incentivada. Quando estive no governo estipulei um prêmio para as 50 melhores escolas, segundo a avaliação do SPAECE (Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará). Todos eram premiados com um 14º salário: professores, funcionários administrativos e o pessoal auxiliar também. Minha idéia é avaliar a escola, avaliar o nível intermediário, que chamamos os Credes (Centros Regionais de Educação) e chegar até a avaliação do nível central. Só que só tive tempo de implantar a avaliação ao nível das escolas e a avaliação regional. Isso é uma política muito correta de estabelecer: todos com o mesmo salário, com a mesma remuneração, mas estabelecer prêmios e vantagens adicionais para os que mostraram um desempenho melhor. Sei que tem muita resistência, mas, de uma maneira geral, temos que retribuir melhor o trabalho de quem está mostrando um resultado mais destacável.
As avaliações nacionais mostram que um dos maiores desafios da educação brasileira sob a responsabilidade dos estados é o ensino médio, que apresenta indicadores ruins tanto de desempenho dos alunos como de cobertura. Cerca de 20% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Entre os que conseguem concluir o ensino médio, apenas 9% desenvolvem as competências e habilidades esperadas ao final da educação básica. O que o senhor fará no seu estado para melhorar o ensino médio?
Pergunta elaborada por: Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e ex-secretária da Educação de São Paulo
Cid Gomes – A responsabilidade, tratando-se do ensino médio, é 100% do estado. Os municípios fazem o ensino fundamental e o estado tem uma quantidade de matrícula mais decrescente nas séries terminais do ensino fundamental. Então, o ensino médio é a nossa grande responsabilidade. E aqui no Ceará, o número de pessoas que estão fora da escola nesta faixa etária é ainda maior do que a média brasileira. Temos que apoiar municípios na questão do transporte escolar, permitindo que alunos, jovens de zona rural, cheguem até uma escola de ensino médio; construir mais escolas de Ensino Médio em distritos maiores – estamos construindo pelo menos umas 40 ou 50 aqui no estado – e dar a oportunidade a jovens de ensino médio de escolas profissionalizantes, que fazem simultaneamente o ensino médio, em tempo integral. O aluno almoça na escola e faz, num contraturno, um curso técnico. Nossa meta é implementar 125 dessas escolas até o final do ano, sendo que antes não tínhamos nenhuma, e permitir essa oportunidade a cerca de 60 mil jovens cearenses. Contratar mais professores e desenvolver programas em algumas disciplinas que são fundamentais e que apresentam maior dificuldade como, por exemplo, matemática, para permitir uma melhor evolução. Como exemplo, nós estamos fazendo um convênio com os professores da Universidade de Chicago para desenvolver uma metodologia por computador de aprendizado de matemática, onde o aluno é avaliado em tempo real. Do projeto faz parte uma rede de fibra ótica que vai permitir ensino a distância com interatividade e vai permitir, também, fazer qualificação de professores nessas áreas mais críticas, como física e química.
Lúcio Alcântara – A universalização do ensino fundamental aumentou muito a carga, trazendo maior fluência para o ensino médio. Houve uma pressão muito grande sobre a rede de ensino médio o que levou a problemas de qualidade e até mesmo problemas físicos das escolas, de estrutura. É preciso que se encontre uma forma de apoiar mais os estados nesta questão. Aqui, no meu governo, aumentamos enormemente o número de matrículas no ensino médio e, ao longo do tempo, isso vai se regularizar.
Quais os planos para garantir a ponte entre a escola e o mercado de trabalho?
Pergunta elaborada por: Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco
Cid Gomes – Ter mais escolas de educação profissional, seguindo também a lógica de que parte dos alunos, até a maior parte, deseja fazer uma universidade. Você tem de qualificar a escola e acompanhar. Isso tem acontecido aqui para que o maior número de jovens da escola pública tenha a oportunidade de cursar a universidade. Mas, muitos, por necessidade familiar, já precisam ingressar no mercado de trabalho. O que estamos querendo é, simultaneamente, dar a eles a oportunidade de um curso técnico. O último semestre dessa escola já tem um estágio, bancado pelo estado. A gente consegue que a iniciativa privada abra o acesso e pagamos o semestre para esses alunos. Com isso, quebramos um pouco esse círculo vicioso de que o jovem não consegue emprego porque não tem experiência.
Lúcio Alcântara – Já falamos da rede de Liceus e arranjos produtivos com foco na educação profissional (veja pergunta sobre as metas do Ideb). É um trabalho de identificar as carências do mercado de trabalho, capacitar essas escolas para ensinar não só com material e equipamentos, mas com professores qualificados. Porque há muito, às vezes, uma farsa, que faz parecer que está se ministrando o ensino profissional, mas em áreas onde tudo é meramente verbal, sem os meios para capacitar para determinadas profissões. E o risco está em se ensinar, como já aconteceu no passado, uma profissionalização que era só datilografia e contabilidade, que não exigiam nem equipamento nem capacitação dos professores. Foi uma reforma que falhou e qualquer coisa que vier nesse mesmo feitio não vai produzir resultado nenhum. É preciso ver o que o mercado está precisando, o que o jovem está querendo para a nova realidade que estamos vivendo e dar condições, com professores, material e equipamentos para preparar esses jovens.
Como equalizar o currículo do Ensino Médio atendendo à necessidade tanto do jovem que quer entrar na universidade quanto do que quer ir para o mercado de trabalho?
Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco
Cid Gomes – Fazer as duas coisas, simultaneamente, é complicado. Você tem de dar alternativas. A escola no ensino médio regular está associada ao uso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como porta de entrada do ensino superior. Ouvi do Ministro da Educação um dia desses, que serão 100 mil quesitos no Enem. Então o que o aluno tem de fazer é aprender aqueles 100 mil itens e, se ele souber, é lógico que ele está muito bem trabalhado, o que acaba com a discussão de conteúdo didático, de currículo. O Enem deve ser a grande questão para quem quer ir pra faculdade. Quem quer já com a conclusão do ensino médio ingressar no mercado de trabalho precisa se incorporar em um curso profissionalizante. Um curso técnico que dê a ele um certificado e uma experiência, identificando vocações de cada região, de cada município. Hoje o Brasil tem esses paradoxos: muita gente procurando emprego e muitas oportunidades atrás de quem tenha competência para aquela oportunidade. É preciso identificar esses campos de trabalho, esses nichos que tenham oportunidades e vocações futuras, procurar se antecipar e oferecer cursos técnicos. Mas, repito, são dois caminhos diferentes.
Lúcio Alcântara – Você tem de criar opções. É preciso que o ensino profissional permita ao jovem, em determinado momento, se dirigir para uma coisa ou para outra, sem que, por exemplo, se ele optar para o ensino profissional fique descartado para entrar numa universidade. É algo que tem de ser ajustado e a questão é muito técnica, mas acho que temos de dar a opção de quem quer ficar como técnico fique com essa oportunidade sem que, forçosamente, tenha de ir pra universidade. Até porque nós estamos vendo hoje que, em determinadas condições, a remuneração, o salário e a oportunidade de trabalho é muito maior na parte técnica de nível médio do que quem tem um grau universitário. É uma revolução que vai acontecendo de acordo com o desenvolvimento do país, com a marcha da economia, com o local onde está situada a escola e o aluno.
Como pensa em estimular a atratividade da carreira docente junto aos jovens concluintes do Ensino Médio?
Pergunta elaborada por: Ângela Dannemann, diretora da Fundação Victor Civita
Cid Gomes – Não tem outro caminho que não seja melhorar o salário. Não há outro caminho. Nós vivemos numa sociedade capitalista e o mundo é materialista. Para estimular a carreira é preciso melhorar o salário. Tenho procurado fazer isso aqui no Ceará. Assumi um compromisso de que no meu governo, e tenho cumprido, salvo esse ano, que todo ano os professores, além da reposição da inflação, tenham um aumento diferenciado. A impossibilidade de cumprir essa promessa esse ano é dada pela legislação eleitoral, que impede que nesse período de defesa, a data base aqui é julho, se dê qualquer vantagem a mais para qualquer categoria de servidor. Mas em todos os três anos nós fizemos isso. Dessa vez só aconteceu a reposição na inflação, mas nos outros três foi dada a reposição na inflação e um ganho a mais no salário.
Lúcio Alcântara – A melhor maneira ainda é o salário. O salário e a perspectiva de uma carreira, para que a pessoa possa ter uma ascensão profissional e seja valorizado, reconhecido. Também acredito que, sinceramente, é uma questão de vocação. Ninguém pode ter a idéia de que vai ficar rico como professor nem como funcionário público, mas deve ter direito a um salário digno, razoável, compatível com a importância da profissão. Tem várias formas de se ter satisfação profissional, como ver uma escola que está bem, ver os alunos produzirem, ver os bons resultados da escola.
O que o senhor pensa sobre dar maior autonomia administrativo-financeira para diretores de escola, com a participação da comunidade de pais de alunos como controle?
Pergunta elaborada por Ângela Dannemann, diretora da Fundação Victor Civita
Cid Gomes - Acho bom e temos feito isso. Tem um programa federal e o estado também tem procurado executar suas ações diretamente com a escola. As escolas aqui, todas elas, são unidades orçamentárias e o estado, em vez de ficar fazendo compras e licitações, repassa essa responsabilidade para escola. Obviamente, tem de ter um acompanhamento e prestação de contas desses recursos. Mas é um caminho. Quanto mais autonomia a escola tiver, nesse sentido de poder resolver os seus problemas sem ficar dependendo de departamento de engenharia de secretaria para consertar uma goteira ou trocar uma lâmpada, melhor. Estou falando, obviamente, nessas coisas de dia a dia. Não é possível pensar que a escola vá ter autonomia de currículo, porque algumas coisas são determinações centrais, mas no cotidiano, quanto mais autônoma for a escola, melhor o seu funcionamento.
Lúcio Alcântara – Sou a favor. Aqui, inclusive, estimulei muito isso. Claro, também com o controle como o dinheiro é aplicado. Aliás, isso deveria ser feito em outras instituições também. E a participação da comunidade na escola é fundamental. É um tripé: professores e funcionários administrativos, auxiliares, alunos e a comunidade.
O que o senhor fará para melhorar a formação de diretores? Pensa na criação de cursos universitários para formação de diretores de escola?
Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe , economista da G7 Investimentos, especialista em Educação e conselheiro do Educar para Crescer
Cid Gomes - O diretor faz a grande diferença. Já até tive uma audiência recentemente com o ministro da educação, propondo exatamente isso. Para ver se a gente fazia aqui uma experiência conjunta, que envolveria a universidade federal daqui para fazer uma escola de formação de diretores. Seria uma formação em serviço, inicialmente, mas a meta é fazer disso um apoio à formação em serviço de diretores de escolas municipais. Eu queria fazer esse centro aqui, um curso superior de formação de diretores. Fará uma grande diferença no estado. Não há escola ruim com diretor bom. Não há. O diretor faz diferença.
Lúcio Alcântara – Não. Necessariamente, não. Mas penso em qualificar cada vez mais o professor, o diretor, tanto na gestão propriamente dita na escola, como colocá-lo bem capacitado para exercer essa função. Aqui no Ceará o diretor é eleito diretamente por um processo do qual participa a escola, de forma que ele se compromete muito com a comunidade escolar para a sua gestão. Evidentemente que essa capacitação pode ser uma pós-graduação, um curso de extensão, um treinamento de serviço. Mas é preciso que ele tenha compromisso também, porque, muitas vezes, a tendência do gestor da escola é só jogar o problema pra cima, sem assumir o seu próprio papel. E ele tem uma parcela de responsabilidade. Sempre dizia “se o governo trata as escolas igualmente, então porque umas são melhores do que outras? Por que umas têm jardim, estão limpas, os alunos têm um desempenho melhor e a outra não tem”? E a situação é a mesma, o professor ganha o mesmo salário, o diretor tem a mesma função, ganha a mesma coisa, as deficiências que o estado tem são as mesmas para todos, mas umas escolas são melhores que outras. O que faz diferença? O professor, a gestão da escola, que termina fazendo com que uma escola seja melhor que a outra.
O senhor se compromete a não fazer indicações políticas para o cargo de diretores de escola? Como eles serão selecionados?
Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação
Cid Gomes - Absolutamente. O critério único para a escolha de diretores é mérito, seleção pública. É assim que fiz como prefeito e no estado já encontrei isso. Tem uma eleição na escola. A grande questão é que, antes de se submeterem a eleição, eles têm de ser aprovados numa prova de mérito. Isso (indicação política pra cargo de diretor) já é página virada aqui. Quando falo aqui, falo na rede estadual e em alguns municípios. Infelizmente, ainda há muitos municípios que não só os diretores, mas muitas vezes até o secretário de educação, são escolhidos por conveniências outras que não a melhor qualificação.
Lúcio Alcântara – Aqui esse problema já não existe (porque há a eleição para o cargo de diretor). O que nós introduzimos na reforma que fizemos quando fui governador foi que, em algumas condições, o diretor, que tem um mandato de dois anos, pode ser cassado.
A maioria dos estudos empíricos demonstra não haver correlação entre gastos em educação/salários de professores e aprendizados dos alunos. O senhor aceita este achado ou acredita que devemos investir mais para obter melhor qualidade de educação?
Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação
Cid Gomes - Concordo. A gente percebe isso ao avaliar todas as escolas, principalmente as municipais, porque a escola estadual tem mais ou menos o mesmo padrão. No município, há diferenças gritantes de um para o outro. E não é o município mais rico, não é o maior orçamento escolar que tem a escola com melhor pontuação. Não quero, com isso, dizer que não se tem de investir em educação. Trato essas coisas como exceção. Às vezes você tem uma diretora dedicada que consegue envolver toda uma comunidade escolar mesmo com os professores com salários ruins, há um grau de envolvimento. E muitos casos também, em município pequeno, como é a única escola, você tem o filho da pequena classe média com o filho do pobre. E a classe média cobra mais do que a classe pobre. A classe pobre, muitas vezes, se dá por satisfeita só em ver o filho frequentar a escola e não tem nem a oportunidade de ver se ele está aprendendo realmente. Então, há esses fenômenos que justificam uma escola com orçamento pequeno e professores com baixos salários ter um bom desempenho, mas trato isso como exceção. É necessário para a educação que se tenha um bom salário para o professor e que a escola tenha um orçamento que permita a ela resolver as necessidades que são muitas e cotidianas.
Lúcio Alcântara – Não, a gente deve investir mais. Mas não é só o dinheiro que vai resolver o problema. Há coisas que independem dos gastos. É um senso de responsabilidade, missão, compromisso, a convivência dentro da escola, a assistência aos alunos, vários fatores que não dependem nem de dinheiro nem de salário. Claro que o salário é sempre um incentivo, mas não é só o salário, porque você pode dar um salário e amanhã o professor dizer “olha, minhas aulas não são boas porque a escola é escura, não tem equipamentos modernos, não tem biblioteca”.
Qual é o projeto do senhor para a disciplina Educação Física Escolar?
Pergunta elaborada por: Jorge Steinhilber, mestre em motricidade humana, presidente do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física)
Cid Gomes - Tem o programa do governo federal “Segundo Tempo”, que está sendo responsável por um grande salto nessa área da Educação Física, que era muito ruim anteriormente. Com ele, conseguimos dar importância a essa modalidade que é fundamental. Mente sã e corpo são é fundamental. Mas a gente precisa dar um passo adiante. As escolas de Educação Física sofreram muito, durante muito tempo, por não ter demanda. Começava uma turma com 40 alunos, terminava com oito, só. Abriu-se o mercado e agora é preciso uma grande reciclagem na formação de professores de Educação Física. Ponderei isso ao ministro da educação. Em uma parceria com a universidade federal, levei a ideia de fazer um centro de excelência que possa, além do curso de Educação Física da universidade federal, trazer de outros cursos e outras faculdades para que possam melhorar o aprendizado e criar um padrão de referência com qualidade para a formação de professores de educação física.
Lúcio Alcântara – Sinceramente, não posso responder, porque é um detalhe que não tenho condições. É muito técnico isso.
A maioria das unidades escolares não dispõe de local adequado para o desenvolvimento de atividades físicas e esportivas. Qual o projeto para corrigir essa distorção?
Pergunta elaborada por: Jorge Steinhilber, mestre em motricidade humana, presidente do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física)
Cid Gomes - É uma meta que está em implantação e da qual já estamos muito próximos de atingir: que todas as escolas estaduais tenham uma quadra coberta, inclusive, que é uma necessidade que se impõe aqui à nossa realidade. O sol muito forte reduz muito o tempo de utilização do equipamento.
Lúcio Alcântara – Sei que a gente tem de valorizar isso. No meu governo incentivamos muito a cobertura de quadras, porque aqui é muito quente. Então procurei que cada município tivesse pelo menos uma quadra coberta. Ao lado disso, estimulamos muito a parte de esporte – jogos escolares, jogos estudantis, do estado todo, das escolas – com premiação.
Quais políticas do governo atual na área da Educação serão mantidas? Quais serão revistas ou aprimoradas (e de que maneira) e quais, eventualmente serão abandonadas?
Pergunta elaborada por: Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro
Cid Gomes - Nós resolvemos focar nas duas extremidades: na entrada e na saída daquilo que é da nossa responsabilidade, que é a educação básica. O ensino superior, botando na conta, embora o estado tenha três universidades e a gente tenha feito uma política de duplicar o orçamento dessas universidades ao longo desses quatro anos, isso está cumprido. A união deve, cada vez mais, assumir o ensino superior e o estado se dedicar à educação básica, ao ensino médio, fazendo diretamente e apoiando os municípios com o ensino fundamental. A política de qualificar e universalizar o ensino médio e atuar firme no processo de alfabetização, isso é uma coisa que tem de ser mantida permanentemente, sempre buscando melhorar a partir de avaliações sistemáticas. A gente vai ter de atuar agora, muito firmemente, já estou trabalhando para isso, na universalização do ensino infantil, universalização em quatro ou cinco anos. Tem possibilidade que isso possa ser feito em quatro anos. Nas regiões em que há mais mulheres trabalhando, cidades de médio e grande porte, na região metropolitana, universalizar a oferta nesses municípios de creche. Isso com certeza vai ter resultados também no ensino médio. Prosseguindo com uma política de valorização salarial, recrudescer aí esforços no sentido de premiar o mérito, o desempenho e o resultado. Sinceramente, não tem nenhuma política que a gente tenha começado e, ao longo tempo, tenha visto que não deva manter.
Lúcio Alcântara – Nós vamos fazer uma avaliação, claro, sendo eleito, do que está em andamento. Muitas coisas só é possível saber depois que se assume. O que tiver bem feito, vamos manter e reforçar. E o que a gente achar que não está bem colocado, vamos rever e, naturalmente, instituir políticas novas. De maneira geral, defendo a continuidade de políticas públicas. Nós temos pago um preço muito alto pela interrupção motivada porque foi de um governo anterior, porque o governante era de outro partido, por preconceitos. Aquilo que estiver bem vamos reforçar e ampliar. O que considerarmos que não está bem vamos melhorar ou eliminar.
Qual o papel que o candidato vê para a participação da sociedade civil e em especial para o investimento social privado no apoio à educação pública?
Pergunta elaborada por: Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro
Cid Gomes - Sinceramente, pagar os impostos [risos]. Se pagar os impostos, está muito bem. Claro, tem muitos programas que são muito valiosos. Disponibilizar canais para voluntários, pessoas que tem sensibilidade, tempo disponível e gosto, é muito valido. Mas você não pode ficar dependente disso. Quem tem de prover os serviços é o estado. O poder público, o município, o estado, o governo federal que têm de, efetivamente, disponibilizar as vagas e a educação de qualidade. Há muitos programas que a gente vê que ajuda, como o Amigos para Educação, da fundação Roberto Marinho. A própria Fundação Civita tem uma série de documentos, livros, publicações, que são voltados para essa área e isso ajuda muito, até a dar visibilidade para os bons casos e boas experiências. Outra que me ajudou muito quando fui prefeito foi a fundação Ayrton Senna. Devo muito do meu aprendizado pessoal. Eles não dão dinheiro, mas dão norte, rumo, orientação e isso foi muito valioso na minha experiência como prefeito e ajudou na montagem desses programas que a gente está implantando aqui no estado.
Lúcio Alcântara – Há uma cobrança muito grande por parte da sociedade por melhorias na educação, pela importância da educação no processo de desenvolvimento, na empregabilidade, numa vida saudável, livre de drogas, etc. Fui aluno da escola pública, embora meus pais tivessem condição de pagar escola particular pra mim. A escola pública já foi muito melhor, já teve muito mais prestígio. Ainda existem ainda uns ícones em todos os estados de uma escola pública, uma ou mais, reconhecida como escola de qualidade. Acontece que com o aumento da demanda e uma atrofia em relação a certas políticas públicas, o que aconteceu é que a sociedade abandonou a escola pública. E o ensino público passou a ser um ensino de má qualidade. Aí houve uma crise, não lembro se no governo do Collor, e, de repente, a classe média ficou sem poder pagar a escola particular e viu a escola pública deteriorada, de má qualidade, sem equipamentos, com prédios muito comprometidos etc. Então de repente, passou a cobrar de novo um ensino público de qualidade. A pressão aumentou sobre o poder público para ter uma escola melhor e isso é muito útil e há varias formas de parceria. Parcerias com entidades não governamentais que podem, por exemplo, usar o espaço da escola, de suas instalações no período que ela não está funcionando para atividades de extensão como educação física, esportes, cultura, lazer etc, para integrar a própria escola na comunidade. Entidades sem fins lucrativos instituídas por empresários ou por certos setores produtivos com vista em investir também na escola pública, no professor, na qualificação. Muitas fundações têm programas nessas áreas. A compreensão é a de que o programa da educação não é só responsabilidade do governo. Todos podem de uma forma ou de outra colaborar para que melhore, para que incentive o seu desenvolvimento e assim por diante. Uma coisa que considero muito positiva é a adoção de escolas por empresas, entidades, e também a modernização do método de gestão nas escolas.
Que ações são planejadas para estimular o compromisso da família no acompanhamento da vida escolar do aluno/seu filho?
Pergunta elaborada por: Guilherme Weege, empresário, diretor da Malwee
Cid Gomes - A família é fundamental no processo de educação, mas em regiões de elevado percentual de pessoas não alfabetizadas, isso cria um vazio. Se ela é muito importante, e o pai e a mãe não tiveram a oportunidade de estudar e, portanto, não podem ajudar o filho, isso gera um vazio que tem de ser superado com criatividade, reforço escolar, sistema de educação a distância. É um grande desafio. Para um pai e uma mãe de origem humilde que não conseguiram se alfabetizar, só o fato de ter o filho frequentando a escola, está muito bem. A gente vê pelo IDEB que a educação no Brasil está muito ruim, vê um desafio enorme pela frente, mas se fizer uma enquete, vai ver que a educação, para as pessoas, não é o principal problema. E é compreensível isso porque o Brasil avançou na universalização do ensino fundamental, mas a qualidade desse ensino fundamental é muito ruim, as pessoas cursam um, dois, três anos e não conseguem aprender a ler e a escrever. E o pai nem tem como aferir isso. Então é um grande desafio que vai ser melhorado com um processo de avaliação de alunos, de regulação dos professores e de ampliação do ensino infantil. Isso vai permitir que as crianças já cheguem ao ensino fundamental com uma base melhor.
Lúcio Alcântara – Isso é uma coisa que, claro, você pode ter um plano geral, mas depende muito da direção da escola tornar a escola um núcleo inserido na comunidade, principalmente com os pais de alunos e fazer com que eles participem. Nós instituímos um boletim escolar, com o resultado das notas sendo enviado para os pais. Com isso o pai se interessava mais em saber como seu filho estava na escola. Porque pode até haver uma diretriz geral, mas vai depender muito da ação da direção na escola. Há escolas que são extremamente inseridas na comunidade, sendo um local de encontro, de socialização, de festividades, e outras em que a escola é um problema na comunidade, porque é ruim.
Que ações serão organizadas para implementar as escolas em tempo integral? Há interesse em ampliar a quantidade das unidades com essa modalidade de educação?
Pergunta elaborada por: Guilherme Weege, empresário, diretor da Malwee
Cid Gomes - Há interesse e isso seria o ideal para suprir as deficiências. Agora, para os municípios brasileiros, com os orçamentos que dispõem hoje, isso é uma tarefa impossível. O orçamento não permite que, num curto espaço de tempo, duplique-se a rede física. Há grandes necessidades de investimentos e o mais desafiador é que duplica o custeio. Hoje, nós temos uma fonte, o Fundeb, que já está cobrindo desde o ensino infantil até o ensino médio, mas esse per capta do Fundeb não permite o ensino integral. Estou ampliando a nossa rede de ensino integral, focado na questão da profissionalização, mas é assim, recebemos 1.400 reais por aluno em um ano, quando o custo é 3.400. Há um déficit aí de 2.000 reais, ou seja, ele cobre 35% do que seria o custo do aluno. Então, com o atual modelo orçamentário brasileiro, é impossível você ter educação em tempo integral, mas isso deve ser um objetivo. No entanto, a sociedade brasileira tem de ter claro que, para isso se implantar, temos que, no mínimo, dobrar o orçamento na educação. E isso é falar de impostos, algo que as pessoas não vêem com bons olhos.
Lúcio Alcântara – Total. Eu sou um defensor. A gente quer um aumento da jornada escolar que pode ser tempo integral. Isso muitas vezes exige aumento da área física da escola. Em alguns casos, nós temos que pensar numa solução e que se tenha um centro onde há algumas escolas na área e que pode oferecer esse segundo turno, se a escola não tiver essa capacidade para ela mesma ministrar. Uma das minhas principais preocupações, na área de educação, seria ensino integral e ampliação do tempo escolar. O ideal é o tempo integral, ou com reforço escolar, ou com outras atividades, línguas, esportes, educação física.
fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/blog/educar-nas-eleicoes/2010/09/03/ceara/