quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Hermogênia, a flor que feneceu...

Neste risonho mês de julho, quando a brisa é mais suave, o jardim da velha Palma diminuiu o seu perfume, a nonagenária flor do clã Teixeira Moreira feneceu, após uma prolongada enfermidade, deixando um rastro de saudade.

Com certeza, ao palmilhar as veredas do seu viver, na longa e edificante caminhada, por muitas vezes, a distinta senhora Hermogênia Teixeira Moreira, dona Hermó, que tanto dignificou Coreaú, elevou ao Bom Deus estas significativas palavras escritas no Salmo 38, versículo 5, que trata da brevidade da vida: “Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim, e o número de meus dias, para que eu veja como sou efêmera.”

Na manhã do dia 15 de julho, em Fortaleza, onde residia, na idade de 92 anos, dona Hermó, ao receber o aceno para que retornasse à casa do Pai Celestial, conheceu o limite do seu tempo terreno. Sem hesitar, embarcou na nave construída pelas boas obras que, em vida, realizou e, singrando o espaço etéreo, colocou-se diante Daquele que, enquanto viveu, não cessou de glorificá-lo. Assim, ouviu o honroso convite: “serva boa e fiel entra na glória do teu Senhor!”

Lá, no eterno paraíso, reencontrou o seu amado Chagas Leocádio, companheiro de louros e percalços, enquanto juntos peregrinaram no mundo dos vivos.

Por várias décadas, dona Hermó, pertenceu ao Apostolado da Oração da Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Na vivência plena da missão dessa associação pia da Paróquia de Coreaú, ela dedicou ao Coração de Jesus uma profunda devoção, reservando, também, à Santíssima Virgem da Piedade uma filial veneração. Com esta prática, vivenciou a sua entusiástica religiosidade, procurando exercitar a humildade, que segundo o fundador dos Dehonianos, (Sacerdotes do Coração de Jesus), Padre João Leão Dehon, é o fundamento de todas as virtudes.

Dona Hermó nasceu no município de Massapê a 19 de abril de 1918, filha de Antônio Raimundo da Silva e de Ana Raimunda da Silva.
Casou-se na Matriz de Santa Úrsula, que atualmente é denominada de Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na cidade de Massapê, no dia 20 de julho de 1942, com Francisco das Chagas Moreira, mais conhecido por “Chagas Leocádio”, radicando-se na povoação de Várzea da Volta, que então pertencia ao município de Palma, atual Coreaú. Hoje, essa localidade faz parte do território municipal de Moraújo.

Desse feliz matrimônio nasceram cinco filhos: Maria de Jesus, Raimundinha, Maria das Graças (Gracinha), Benedita e Humberto. Mais tarde, essa prole foi acrescida de dois filhos adotivos: Francisco de Assis e Francisco das Chagas.

Na vida conjugal, experimentou as alegrias das Bodas de Prata e de Ouro, festejadas, com Missa de Ação de Graças na Matriz de Nossa Senhora da Piedade, em Coreaú, respectivamente, nas datas de 20 de julho de 1967 e 20 de julho de 1992.

No decorrer de 1958, em função dos estudos dos filhos, transferiu-se com a família para Coreaú. Nesta terra abençoada, se fez querida. Com sua peculiar discrição participou de muitos eventos sociais e religiosos da sociedade coreauense.

Em Coreaú, durante o tempo em que as forças lhe permitiram, assumiu com irrestrito ardor as lides domésticas, cumprindo as obrigações de mãe e de esposa.

O Professor Francisco Murari Pires, no artigo “O Ser Humano e a Condição Humana”, nos adverte que “... a vida humana impõe uma duração demarcada por dois extremos factuais: o nascimento que a principia e a morte que a termina.” Para dona Hermó a finitude chegou a termo, o que era passageiro tornou-se eterno. A matéria findou o seu ciclo biológico, mas o espírito alcançou as alturas da eternidade.

Descanse em paz.

Fortaleza, 22 de julho de 2010
Leonardo Pildas